quinta-feira, 17 de novembro de 2011

«Recessions, in other words, can be fought simply by printing money — and can sometimes (usually) be cured with surprising ease.»






Como chegámos a este beco financeiro? Por duas ruas estreitas: numa, o delírio despesista do Estado Socialista, corrupção de Estado e «bancocracia»; na outra, a política germânica do euro forte.

O delírio do Estado Socialista levou ao fomento do ócio, através de prestações sociais de nível absurdo, e ao compromisso promíscuo de obras públicas inúteis e sobrefacturadas. A corrupção de Estado é uma consequência da chegada ao poder de gerações de mini-políticos profissionais de copos e discos, deslumbrados com o dinheiro e praticantes de luvas e comissões, que substituíram a elite académica e a elite burguesa na condução do Estado. E a bancocracia é a tutela política do Estado por banqueiros privados e seus actuais e futuros avençados, os ex-titulares de cargos públicos, com o argumento de que o sistema bancário é o sistema vital da sociedade e que, portanto, o Estado deve socorrer os depositantes e os accionistas dos bancos privados. Uma tutela de corrupção: troca de favores por dinheiro em tachos futuros e em comissões ocultas nos negócios de vendas de activos e de construção, em que os bancos ficam com o grosso do dinheiro. Um socialismo bancário de despesismo e corrupção. Um sistema consentido de câmbio de corrupção por abuso, em que o abuso dos subsidiopendentes é garantido para que o povo não se revolte com a corrupção do poder político.

A política germânica do euro forte foi a prometida moeda de troca para os alemães da criação da união monetária europeia. E tem sido mantida como tal. A Alemanha enriquece, depois de um sacrifício de salários para uma folga de competividade, que foi aproveitada para reformar a tecnologia industrial, e os alemães empregados, reformados e subvencionados, aumentam o seu bem-estar, pela importação de produtos mais baratos. A competividade alemã tem assentado no modelo Miele (como diz um amigo meu) e no modelo Bimby. O modelo Miele consiste em produzir produtos muito melhores do que os concorrentes; e o modelo Bimby consistem em produzir produtos únicos (e com fraca concorrência). Porque os produtos são melhores ou até porque são únicos, o câmbio é muito menos relevante do que em produtos genéricos. Então, o euro forte não prejudica seriamente a economia alemã, e quando isso acontece, o poder político manda aliviar ligeiramente a razão de troca. Simultaneamente, por falta de trabalho, de qualidade e de agilidade industrial, as economias do sul da Europa e outras periféricas definham.



Publicado “Do Portugal Profundo”

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